Wednesday, April 25, 2007

Revolução (e fado)

Outra palavra sepultada no cemitério do aburguesamento colectivo. Parece uma fatalidade filha da mãe esta de se ser destemido revolucionário aos 20, burguês tolo aos 30, e empenhado reaccionário aos 40. Manter ao longo da vida, independentemente das vicissitudes daquela, uma pulsão revolucionária e "extremista" (não há que temer o termo) não será condição de eleição e excepção, mas não é certamente muito comum. O capitalismo insidioso que nos invade a toda a hora e a sua bela montra de compensações e anestesiantes, sedativos e excitantes, testam a resistência e a autenticidade de quem tem a revolução como horizonte de luta e de conquista.
Há muitas revoluções, é verdade, e de natureza e alcance contraditórios. Mas, qualquer que seja o seu sentido, um "espírito" revolucionário, que cultiva a radicalidade transformadora da sociedade e de si próprio, que se insubordina face às ordens de conformismo ou de resignação ao status quo, é, só por isso, mais digno de respeito do que a mola amorfa e instalada nas suas posiçõezinhas adquiridas, a autogovernar o seu poderzinho concentrado na carteira, no "nome" ou nos "conhecimentos", a esperar os dias de feição porque o tempo é previsível e aos dias maus ou mais ou menos sucedem sempre dias melhores. Dormentes no seu fado de felicidade de cão de engorda.

2 comments:

Viva a OVIBEJA! said...

ACHO QUE SEI QUEM ÉS!

Tenrrinho said...

RASTAFA