Outra palavra sepultada no cemitério do aburguesamento colectivo. Parece uma fatalidade filha da mãe esta de se ser destemido revolucionário aos 20, burguês tolo aos 30, e empenhado reaccionário aos 40. Manter ao longo da vida, independentemente das vicissitudes daquela, uma pulsão revolucionária e "extremista" (não há que temer o termo) não será condição de eleição e excepção, mas não é certamente muito comum. O capitalismo insidioso que nos invade a toda a hora e a sua bela montra de compensações e anestesiantes, sedativos e excitantes, testam a resistência e a autenticidade de quem tem a revolução como horizonte de luta e de conquista.
Há muitas revoluções, é verdade, e de natureza e alcance contraditórios. Mas, qualquer que seja o seu sentido, um "espírito" revolucionário, que cultiva a radicalidade transformadora da sociedade e de si próprio, que se insubordina face às ordens de conformismo ou de resignação ao status quo, é, só por isso, mais digno de respeito do que a mola amorfa e instalada nas suas posiçõezinhas adquiridas, a autogovernar o seu poderzinho concentrado na carteira, no "nome" ou nos "conhecimentos", a esperar os dias de feição porque o tempo é previsível e aos dias maus ou mais ou menos sucedem sempre dias melhores. Dormentes no seu fado de felicidade de cão de engorda.
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2 comments:
ACHO QUE SEI QUEM ÉS!
RASTAFA
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